Blog destinado ao estudo, compilação e análise de Pegadinhas de concursos públicos

Quando descobri os estratagemas usados na sintaxe dos enunciados e das opções de resposta e as técnicas para influenciar psicologicamente quem vai responder a questão, eu achava que fosse uma coisa isolada, criada individualmente na cabeça de cada professor criador da pegadinha.

Mas ao começar a trocar ideias com o Paulo Cesar Pereira, o Sapoia, que muitos devem conhecer, descobri que há um verdadeiro estudo planejado não apenas do grau de dificuldade das  questões, mas também da potencialidade que ela tem de induzir candidatos a marcarem determinada resposta errada.

Eu já havia percebido que uma das técnicas favoritas era usar elementos para distrair a atenção do candidato.  Uma palavra com um sentido muito preciso em um contexto jurídico, por exemplo, mas que é usada com outro significado no dia a dia, um detalhe de uma situação que não parecia importante, mas cujo reconhecimento altera radicalmente a linha de raciocínio necessária para resolvê-la, um prefixo sutilmente colocado ou retirado de uma norma legal,  tudo isso tem o poder de distrair o candidato fazendo com que ele deixe de prestar atenção em alguma coisa muito importante para a resposta.

O Sapoia me apresentou o conceito de “distratores” (isso mesmo, uma palavra cuja raiz é a mesma do verbo “distrair”) que faz parte de uma certa  “Teoria da Resposta ao Item” da qual eu nunca tinha ouvido falar, mas que depois descobri que existem pesquisas e até livros sobre ela. Essa teoria é usada justamente para criar os tais distratores, cujo objetivo teoricamente (segundo entendi) seria desviar a atenção dos candidatos menos preparados para determinadas respostas que aparentam serem corretas para quem não estiver muito afiado na matéria.

Ora, de certa forma isso é uma espécie de “planejamento de pegadinhas”. É claro que nem toda questão difícil necessariamente tem uma pegadinha, pelo menos não na minha forma de avaliar a coisa. Talvez o Sapoia não concorde comigo neste ponto, embora concorde em muitas outras coisas, pois a sua Técnica do Chute é parecida com a minha Análise de Pegadinhas, porém para mim, uma questão pode ser muito difícil e estar apenas testando o conhecimento adquirido por alguém. Já a questão com pegadinha além de testar o conhecimento testa também a sua “esperteza”, “argúcia”, “perspicácia” ou chamem como quiser. Tanto que ha´pegadinhas nas quais quem conhece bem o tópico perguntado é que tem maiores chances de cair.

De qualquer forma a informação do Paulo foi ótima porque me deu a certeza de que eu não sou um maluco que está procurando forçar a barra para descobrir uma coisa que não existe. Se as próprias bancas se valem até de complicadas teorias para selecionar questões que vão atrair determinado tipo de candidato (supostamente os mal preparados, mas não é sempre o que acontece),  as minhas descobertas sobre os elementos mais usados nas questões capciosas, realmente tem uma razão de ser.

Eric Savanda

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