Reconhecendo uma Necessidade
A idéia central do nosso projeto baseia-se na necessidade, a nosso ver urgente, de se levar a sério o estudo das pegadinhas de concurso. Já que elas são um obstáculo real no caminho da classificação.
Não existem estatísticas sobre o efeito das questões com pegadinhas na reprovação dos candidatos. Mas na prática, todos sabemos que elas tem uma influência importante na eliminação de boa parte deles, já que induzem as pessoas a marcar as alternativas erradas nas provas.
Aliás, não existe praticamente nada em relação ao estudo e à compreensão do fenômeno das pegadinhas, apesar do importante papel que elas têm no contexto das provas dos concursos públicos.
Em nossa opinião, o mais urgente é possibilitar que os candidatos e os professores dos cursos preparatórios compreendam melhor o pensamento daqueles que criam questões com pegadinhas. Para isso, é preciso estudá-las detalhadamente, dissecá-las e entender melhor a sua estrutura.
Identificar uma pegadinha em determinada questão é muito diferente de entender como ela foi estruturada, a que tipo de candidato ela está tentando enganar, em que tipo de estado mental ela pressupõe que o candidato se encontra no momento da tentativa de resolução da questão, que espécie de mecanismo inconsciente ela está tentando utilizar, por que ela vai funcionar com alguns candidatos e em determinadas circunstâncias e com outros não, e um sem número de outras perguntas até hoje definitivamente sem resposta.
As Pegadinhas como Objeto de Estudo
Em nossa opinião, a melhor forma de responder a essas perguntas é criando uma disciplina autônoma cujo objeto de estudo sejam as próprias pegadinhas. Por isso proponho que os maiores interessados, candidatos, professores de cursos preparatórios, juristas, e demais pessoas envolvidas no dia-a-dia da preparação para concursos comecem a observar com mais atenção essas ciladas que as bancas costumam colocar nas questões das provas.
Mas não basta observar. Não se trata de colecionar pegadinhas, mas sim reunir um corpo de conhecimentos, criar uma metodologia de análise, comparar tipos, desvendar suas estruturas, observar semelhanças e diferenças, perceber que bancas utilizam mais ou menos esta ou aquela estrutura para criar pegadinhas, escrever artigos e livros sobre o tema, debater sobre ele nos fórums e listas de discussões que há na Internet, enfim, dar às pegadinhas uma atenção proporcional aos problemas que elas criam para os candidatos.
Elaboração de uma Teoria
Se a idéia é criar uma nova disciplina com um objeto de estudo autônomo, tal disciplina necessita de uma formalização, um corpo teórico, conceitos, hipóteses e tudo o mais que diferencia um campo de estudo dos outros.
Ora, ninguém cria uma disciplina sozinho. Freud criou a Psicanálise e algumas pessoas têm sérias dúvidas sobre se ela existiria, caso Freud não tivesse nascido. Mas a Psicanálise tomou um rumo próprio e foi muito além das idéias básicas do seu fundador, ramificando-se em diversas escolas e criando abordagens distintas para o mesmo estudo.
Talvez o estudo das pegadinhas de concurso não tenha a mesma grandeza que tem a tentativa de compreensão dos processos inconscientes do ser humano, mas da mesma forma, é uma necessidade. Portanto, alguém tem que dar o pontapé inicial e começar a propor os fundamentos necessários à sistematização desse tipo de conhecimento.
Estamos propondo a começar a construir essa base através da criação de alguns pressupostos básicos para a elaboração de uma teoria das pegadinhas. Já colocamos em outras páginas desse blog, o silogismo fundamental sobre o qual propomos seja desenvolvida a Análise de Pegadinhas. Recordando:
1 – Toda pegadinha tem uma estrutura
2 – Essas estruturas são em número limitado
3- Logo… elas podem ser classificadas
A partir dessa idéia básica, que considero a pedra fundamental da Análise de Pegadinhas, torna-se possível elaborar uma classificação das diversas estruturas, dividindo as pegadinhas em tipos.
Já identifiquei, diversas dessas estruturas usadas nas provas das várias bancas, e essa classificação será apresentada nos livros da série Pegadinhas assim como distribuída gratuitamente em nosso futuro e-book.
Por que não Apresentar Logo a Classificação?
Acreditem, eu gostaria muito de fazer isso. Mas há dois bons motivos para não fazer isso de forma precipitada.
O primeiro é que é aconselhável fazer uma cuidadosa revisão dos argumentos utilizados na identificação de cada estrutura (cada uma delas corresponde a um tipo que criamos) para evitar ao máximo eventuais incoerências. Mesmo assim, sabemos que elas ainda poderão ocorrer, e quando isso acontecer, em vez de ficar teimosamente defendendo a minha opinião, humildemente irei pedir a colaboração de outras pessoas, muito mais bem preparadas do que eu, para sanar eventuais falhas conceituais.
O segundo é em respeito ao meu editor. Não é fácil convencer uma editora a liberar gratuitamente uma parte do conteúdo de um livro que ela vai produzir arcando com todos os custos e riscos de distribuição sob a forma de um e-book que poderá ser livremente copiado e redistribuído pela Internet. A pergunta que me foi feita era inevitável? “Mas isso não vai concorrer com os nossos livros?“
Na verdade, não. Pelo contrário, é necessário que as pessoas entendam que uma classificação das pegadinhas é não apenas condição necessária para o melhor aproveitamento dos livros, como também uma ferramenta auxiliar valiosa para a sua própria preparação para concursos. O método vai estar no e-book e será gratuito. O candidato poderá queimar as pestanas, como eu fiz durante quase dois anos pesquisando questões com pegadinhas na rede, ou simplesmente comprar os livros a um preço módico e poupar-se de todo esse trabalho.
Peço a vocês um pouco de paciência. Creio que dentro no máximo dentro de três meses, talvez até antes, já teremos os livros “100 Pegadinhas de Direito Administrativo” e “100 Pegadinhas de Direito Constitucional” disponíveis nas livrarias de todo o Brasil. Quanto ao e-book, acredito que poderei ser autorizado a divulgá-lo um pouco antes, provavelmente no final de março ou no máximo em Abril.
Abraços do…
Eric Savanda
24 Setembro, 2009 às 7:44 pm |
Olá tem como você me ajudar a desvendar as pegadinhas em português e como faço para comprar o seu livro de pegadinhas, mas gostaria muito de entender e poder fazer uma prova tranquilo e conseguir ser aprovado e classificado..
29 Setembro, 2009 às 1:36 pm |
Oi, Sérgio. Na verdade a teoria da Análise de Pegadinhas pode ser aplicada em outras matérias além daquelas pertencentes à área de Direito. Quando criei a tabela de classificação eu imaginei que ela pudesse ser aplicada a qualquer disciplina, mas não é o que acontece.
Embora existam tipos de pegadinhas, como por exemplo as pegadinhas de “detalhe” [DET] que podem aparecer em qualquer matéria, o mesmo não ocorre com todos os outros tipos. Além disso há tipos de pegadinhas que ocorrem especificamente em provas de Português, Informática ou Raciocínio Lógico que não existem em questões de Direito.
Apesar de ter uma boa redação, eu não tenho ainda conhecimentos suficientes de Português que me permitam analisar as questões das provas e criar uma classificação das estruturas de pegadinhas que aparecem nessa matéria. Que elas existem, eu não tenho a menor dúvida. O ideal seria que algum professor ou professora de Português com profundo conhecimento da matéria se dispusesse a analisar um bom número de questões a fim de identificar as estruturas usadas pelas bancas nas pegadinhas de Português. Algum professor ou professora aí se habilita?
Eric Savanda